O MPSE denunciou o homem por feminicídio qualificado pelo emprego de veneno e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima
O Ministério Público de Sergipe (MPSE) denunciou criminalmente um homem acusado de feminicídio e fraude processual pela morte de uma jovem envenenada com um sorvete no bairro Olaria, em Aracaju. A denúncia foi apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri da capital.
De acordo com o MPSE, o acusado utilizou o histórico de depressão da vítima para manipulá-la psicologicamente. Sob o falso pretexto de que os dois cometeriam suicídio juntos, ele teria atraído a jovem para sua residência e misturado veneno conhecido como “chumbinho” em potes de sorvete oferecidos a ela.
As investigações e os laudos periciais apontaram que apenas a vítima ingeriu a substância tóxica, morrendo pouco tempo depois. Após o crime, segundo o Ministério Público, o investigado teria tentado criar uma falsa narrativa para afastar sua responsabilidade, alegando também ter consumido o veneno.
No entanto, exames médicos e perícias demonstraram que ele chegou ao hospital consciente, orientado e sem apresentar sintomas compatíveis com intoxicação por aldicarbe, princípio ativo conhecido popularmente como chumbinho.
Diante das provas reunidas, o MPSE denunciou o homem por feminicídio qualificado pelo emprego de veneno e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de fraude processual por suposta alteração da cena do crime. O órgão ministerial solicitou que ele seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Relembre o caso
O caso ocorreu em 20 de dezembro de 2025 e chegou inicialmente às autoridades como uma suposta tentativa de suicídio envolvendo um casal. No local, os policiais encontraram a mulher sem vida e o homem consciente, sem sinais de intoxicação.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou inconsistências na versão apresentada pelo suspeito.A análise de mensagens trocadas pelo casal revelou que o investigado incentivava constantemente a jovem a cometer suicídio. Segundo a polícia, ele chegou a mencionar que diluiria o veneno em um doce, método semelhante ao utilizado no crime.
As investigações também apontaram que a vítima já havia demonstrado medo do suspeito meses antes da morte e que ele não aceitava o fim do relacionamento, utilizando manipulação emocional para manter contato com ela.
Em maio deste ano, o homem foi preso por equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Para a Polícia Civil, trata-se de um feminicídio planejado, marcado por manipulação psicológica e premeditação.
por Marina de Sena e Carol Mundim
